{"sf1_id":611859,"sf2_id":null,"title":"\"Que anúncio chamativo...\"","author":"Yure16","words":1902,"posted_at":"2013-11-09T17:40:00.000Z","tags":["Animals/Ferals","Cubs / Young Characters","Females","Lapines","Males","Mammals","Prey Species","Scenes - Tribal","Story Driven"],"url":"https://fse.anthro.fr/stories/611859-que-anuncio-chamativo","original_url":"https://sofurry.com/view/611859","image_url":"https://www.sofurryfiles.com/std/thumb?page=611859\u0026ext=.jpg","description":"A primeira parte de uma história que venho pensando em escrever há dias, mas só agora resolvi colocar meu plano em prática.\nAnterior: http://www.furaffinity.net/view/11976989/\nPróxima: https://www.sofurry.com/view/614252","content":" Percival andava lentamente pela\nfloresta à noite. Os sons dos grilos ecoavam entre as árvores\nenquanto o coelho andava à passos curtos e preguiçosos. Sua vida de\nexplorador de masmorras estava tornando-se cada vez mais difícil\ndesde que seu pai morreu em um acidente durante uma exploração\nimpetuosa. Percival estava determinado a continuar seguindo os passos\nde seu amado pai, mas tinha de admitir que não era tarefa fácil\nquando se está sozinho e quando não se tem experiência. Ele aproximou-se da cidade e andou por\nentre as modestas construções de madeira e palha, até a praça\nprincipal. Lamparinas penduradas iluminavam os arredores da praça,\nonde o escambo acontecia. Pertences eram trocados entre as espécies\nà luz das lamparinas, todos sorriam uns para os outros, julgando\nfazerem bons negócios. Mas a atração que apelava a Percival eram\nos classificados, uma placa erguida no meio da praça na qual a\ncomunidade fazia anúncios. Normalmente, ofertas de todos os tipos\neram feitas nos classificados, tal como propagandas de serviços. Não\nhá dinheiro em Fenária; todos os serviços e objetos são\nnegociados por pertences. Ou seja, Fenária tinha uma economia de\nescambo. Percival aproximou-se da placa e olhou\nos anúncios cuidadosamente, por alguma coisa que pudesse sustentar\nele e sua mãe. Ele então viu um anúncio da prefeitura que parecia\nperfeito para ele: \"Exploradores de todas as idades e espécies, precisamos de\nvossa ajuda! Foi encontrada uma nova entrada para a Grande Masmorra e\narqueólogos estão juntando-se ao pé da montanha para iniciar a\nofensiva! Pagamos em comida e água tratada aqueles que ajudarem e\nobtiverem bons resultados na exploração. Jornada de cinco horas por\ndia. Venha testar suas habilidades, descobrir tesouros e ajudar com o\navanço da arqueologia!\" \"Que anúncio chamativo...\", pensou Percival. De fato, não é\ntodo o dia que se vê um anúncio daquele tamanho, cheio de\nexclamações, muito menos se vem de um grupo de intelectuais\nfiliados à prefeitura. Percival deu os ombros e leu o resto do\nanúncio para saber o local e a hora em que deveria comparecer: na\nzona leste da montanha, dentro de dois dias, durante a manhã. Percival assentiu e deixou a cidade, voltando para a floresta\npara dar as notícias à sua mãe. O caminho até a casa de Percival\nera estreito, tendo de ser feito por uma trilha entre as árvores. A\ntrilha terminava numa casa de madeira construída numa clareira,\nperto de um lago. Ele entrou e andou até sua mãe, a qual estava\nsentada numa cadeira de balanço. Ela era uma coelha já idosa, usava\nóculos e precisava sustentar-se com uma bengala. Mesmo assim, ela\nera feliz, tinha grande vigor e não reclamava de sua idade. Muito\nreligiosa, ela sempre tinha consigo um rosário de vinte contas de\npérola e quatro de ouro, sendo que cada conta de ouro se interpunha entre\ncada grupo de cinco contas de pérola. Ela olhou Percival, que\nacabara de chegar e aproximava-se. A casa era muito simples e tinha apenas um cômodo. A única luz\nera a luz do luar que penetrava pela única janela que dava para o\nlago afora. A velha olhava a janela com uma expressão séria até\ndar-se conta de que Percival havia chegado. Sua expressão mudou e ela sorriu para seu filho.- Como foi a busca por emprego? - ela perguntou.- Bem, mama - respondeu Percival. - Acredito que encontrei um\nbom trabalho que nos suprirá de comida.- Muito bem... Ainda pretende explorar o subsolo? Sabes o que isso\ndeu pro seu pai, amor.- Sei muito bem, mãe. Mas meu pai foi imprudente. Confie em mim.\nAlém do mais, nada remunera mais que a exploração subterrânea. A coelha ficou decepcionada ao ouvir aquelas palavras, mas\naceitou; nada podia tirar Percival de sua paixão. Ele amava\nparticipar de explorações com seu pai e a coelha ficou\nimpressionada ao ver que presenciar a morte do pai não havia tirado\ndo filho o desejo de ser como seu velho. Ela gostava de pensar que a\nalma do pai agora fazia parte do corpo do filho.- Uma pena que a colheita está ficando difícil - disse a\ncoelha. - Do contrário, poderíamos continuar a viver sem trabalhar.- Mas é bom viver no luxo e não ter de se preocupar com a\ncolheita - disse Percival. - Além disso, não gosto de ficar em\ncasa... é tedioso...- A juventude... - a velha sorriu. - Quem formará seu partido?- Ainda não sei - Percival nem havia se dado conta de que não\ntinha um partido. Explorações da prefeitura requerem grupos, \"partidos\",\nformados através de um processo de seleção entre os candidatos.\nPorém, às vezes, para trabalhos simples, é recomendado que o\nexplorador levasse um grupo de amigos fiéis, sem necessidade uma\nprova de seleção.- Mas acredito que não precisarei me preocupar com isso agora -\ncontinuou Percival.- Entendo... Melhor você dormir... amanhã será um novo dia... -\ndisse a mãe. Naquela noite, contudo, havia um outro filho indo para casa, mas\nnão para encontrar sua mãe. Um pequeno macaco entrou em sua casa,\ntambém de madeira, construída no alto de uma árvore. Ele saudou\nseu pai e perguntou:- Nada ainda?- Nenhuma notícia, filho - disse o pai, um gorila preto enorme,\nsentado à mesa enquanto consertava um relógio. Pequeno Mimo era um macaco que ainda nem chegara à puberdade.\nEle vivia com seu pai, um relojoeiro, à espera de notícias da\nprefeitura, a qual havia prendido sua mãe injustamente. A casa tinha\ndois pisos, um destinado à oficina do pai e outro dedicado aos três\nquartos. O pai havia construído a casa sozinho no curso de um mês.\nAs paredes da oficina eram cheias de ferramentas e relógios\nclássicos, visto que Fenária não havia descoberto a tecnologia\ndigital ou o silício. Mimo suspirou e subiu as escadas para seu quarto. Mas seu pai o\nchamou:- Mas outra coisa chegou. Mimo foi até seu pai e pegou o jornal da sua enorme mão. Mimo\nnão tinha muitos amigos e maior parte de seu tempo livre era\ndespendido lendo o jornal. Ele então subiu as escadas e folheou o\njornal por uma longa hora, lendo cada palavra, sob a luz de uma vela.\nA vela ficava no centro de uma tigela com água, para que as fagulhas\nque eventualmente pulassem da flâmula fossem extinguidas. Seu quarto\nera pequeno o bastante para acomodar somente uma cama e uma cômoda\nque também servia como mesa. Uma janela lhe permitia olhar o céu\npor entre as folhas da enorme árvore que sustentava a casa. Ele\nchegou à seção de classificados e percebeu uma oferta de emprego\nbastante chamativa. Era a mesma oferta que estava na praça visitada\npor Percival. Como era um trabalho da prefeitura, talvez Mimo\nconseguisse, com seu bom desempenho, libertar a sua mãe. Afinal, ele\ntalvez poderia pedir uma recompensa diferente; seu pai, mesmo\nenvelhecendo, provia a família da comida que eles precisavam, então\ncomida e água não eram exatamente escassos no momento. \"Será que meu pai iria nisso?\", ele perguntou-se. Mimo\nlevantou-se e foi até seu pai.- O que foi, Mimo? - perguntou o pai. - Sabes que não posso te\nlevar pra fazer xixi à noite.- Eu sei, pai, não tem de me lembrar... - falou Mimo,\nenvergonhado. - É que eu vi uma oferta de emprego da prefeitura.\nTalvez, se você fizesse um bom trabalho, mamãe pudesse ser\nlibertada. O pai voltou-se para Mimo e pediu-lhe o jornal. Mimo o entregou,\njá na página dos classificados. Seu pai leu atentamente.- Eu não sei se posso. É um trabalho muito arriscado - falou o\npai. - Não é para qualquer um. É necessário ter coragem,\ncompromisso e um corpo jovem. Mesmo que eu tenha os dois primeiros,\nnão sei disponho de um corpo jovem o bastante. Mimo pensou um pouco sobre as palavras de seu pai.- Posso eu ir? - perguntou. Os olhos do pai arregalaram-se e ele olhou Mimo com ar de\nespanto.- Não! Nunca! Olhe pra você! És uma criança! Jamais eu\ndeixaria que você participasse de uma ofensiva da prefeitura! -\nfalou o pai, enfatizando cada palavra com o tom forte de sua voz.- Mas pai... - retrucou Mimo. - é nossa única chance... É óbvio\nque a prefeitura não vai soltar a mamãe sem que nós façamos algo.\nOs encarceramentos são definitivos até que o culpado seja provado\ninocente... ou até que uma fiança seja paga! Você me disse isso! O pai, diante da preocupação do filho, baixou o tom da voz ao\ndizer:- Eu sei disso, filho... mas é melhor esperarmos por outra\noportunidade...- Você... às vezes nem parece que ama a mamãe - comentou\nMimo, baixando a voz também. Silêncio entre os dois. O pai havia ficado sem jeito. Talvez,\nseu principal problema não fosse a falta da juventude, mas de\ncoragem. No fundo, o pai tinha medo do subsolo da ilha. Mimo subiu as\nescadas e entrou em seu quarto. Ele ficou pensando por algum tempo no\nque fazer. Ele não queria deixar sua mãe sofrer na prisão. Ele\npensou por um bom tempo, olhando para o teto de seu quarto. Ele então\nchegou a uma conclusão. Ele iria, por sua própria conta, na\nofensiva. Dois dias depois, durante a madrugada, Mimo acordou. Ele havia\nbebido muita água na noite anterior para que sua bexiga o acordasse\nantes da manhã. Ele acendeu a vela e escreveu uma carta para seu\npai. Depois disso, ele apanhou a mochila que havia preparado na noite anterior e saiu\npela janela. Enquanto isso, Percival foi acordado por sua mãe.- Está na hora de ir, campeão - ela disse. Percival sentou-se. Diferente de Mimo, Percival não tinha uma\ncama. Ele e sua mãe dormiam em esteiras sobre o chão. Percival\npegou suas coisas e partiu, após beijar sua mãe. Após uma longa caminhada até a cidade, Percival e Mimo\nencontraram-se na praça principal, junto com todos os outros animais\nque pretendiam participar da ofensiva. Eles faziam seus preparativos\nnas tendas de escambo, mas Percival e Mimo, como não tinham o que\ntrocar, seguiram logo para a montanha. Foi mais uma hora de caminhada\npela floresta densa e escura da madrugada até o pé da montanha,\nonde ainda mais animais estavam reunidos, aguardando instruções. O encarregado de aplicar a prova não havia chegado ainda. Foi um\nteste esperar naquele frio, mas muitos haviam vindo preparados. Cada\nvez mais animais chegavam da cidade à montanha para prestar o teste.\nEles conversavam entre si e o som de suas vozes enchia o lugar. Havia ali a entrada para a Grande Masmorra. O interior era\nrevestido de gelo e da entrada partia um intimidador ar gelado. Era\num corredor construído no pé da montanha e que parecia estar lá\ndesde os tempos ancestrais, isto é, antes da invenção da linguagem\nem Fenária. Após uma longa espera, os animais foram agraciados com a\npresença de um macaco pequeno, vestindo roupas brancas, usando\nóculos, segurando várias folhas de papel. Ele chamou a atenção de\ntodos:- Senhores, ouçam-me! A hora do teste finalmente chegou! Os animais cercaram o macaco. A primeira etapa foi um sorteio: a\nquantidade de provas era limitada, portanto alguns não puderam fazer\npor puro azar. Mimo e Percival receberam suas provas. Metade dos\ncandidatos foi para casa quando não havia mais provas a ser\ndistribuídas. Não havia caneta ou lápis. Os candidatos tinham que ler as\nprovas, pensar nas respostas, dirigir-se ao orientador e proferir as\nrespostas oralmente."}